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De Carro do Rio de Janeiro ao Caribe

DO RIO AO CARIBE Após 10 dias voando pelo sertão central do ceará finalmente iria começar a transformar em realidade a fantasia que já habitava minha cabeça ha muito tempo e que desde setembro quando no mesmo sertão cearense decidi que este fim de ano o sonho se tornaria realidade não conseguia mais tirar da cabeça. Afinal tinha resolvido cruzar a Amazônia de carro para chegar a Venezuela, conhecer alguns locais no país para acabar passando o ano novo no Caribe.

Em apenas um mês tive que fazer todo o levantamento começando por definir a rota a ser seguida depois saber da condição das estradas e sua segurança por fim a rota definida foi :
_seguindo pelo Piauí por uma região muito bela e desabitada próxima das divisas da Bahia, Goiás, Pernambuco e Tocantins para finalmente chegar a Quixada-CE onde fiquei voando para em seguida ir para Belém daí para Tucrui de onde a rodovia Transamazonica me levaria a Santarém e de onde teria que embarcar o carro para Manaus de onde parte a BR174 p/ Boa Vista-RR já próximo a divisa com a Venezuela.

Após me despedir dos amigos com os quais estive em Quixada, aqui estava só cruzando o sertão rumo ao norte. Até o Maranhão tudo normal mas quando fui chegando ao Pará fiquei impressionado com o que via, ou melhor não via, pois a fumaça das queimadas impedia que se visse o sol que as 15hs já era apenas uma bola vermelha em um céu branco. O pouco que enxergava eram ca- minhoes carregando toras com um diâmetro maior que minha Toyota e muitas entremeadas de cidades pobres e sujas onde a única materia prima utilizada era a madeira que em alguns casos chegava a substituir as telhas a cobrir as casas. A população vagava descamisada em meio a fumaça e muitos dos homens portavam espingardas ou outras armas completando o cenário de "faroeste" tupiniquim.

Passei dois dias em Belém e parti as 15 hs rumo a Tucurui que seria o local programado para passar a noite porem me atrasei devido as duas bal- sas e buracos no caminho ao parar em Tailândia para abastecer já estava escuro e eu já me preocupava devido ao fato de aquela ser uma área de risco talvez a única realmente perigosa do roteiro famosa pelo desaparecimento de veículos e motoristas, ao fim do abastecimento pergunto ao frentista como estariam as condições da estrada e a resposta foi :

- O asfalto está do mesmo jeito (cheio de buracos), agora não pare pra ninguém pois a coisa tá feia ai pra frente. Eu imediatamente perguntei por um hotel e ele me indicou um do outro lado da pista que cruza a poeirenta e escura cidade. Ao lá chegar por motivos óbvios o recepcionista me disse: -Ta lotado, só tem o 22 que não tem ar condicionado só ventilador.... Quando eu disse que queria ver o tal 22 e provavelmente ficaria, a resposta foi :
- Vai encarar !?

Então vamos lá! Cruzamos todo o corredor do hotel para enfim chegarmos a porta dos fundos por onde saímos para cruzar um quintal e enfim alcançar uma casa de madeira ao ver o quarto achei o recepcionista um pouco exagerado, pois apesar da falta de janelas o quartinho era arrumadinho e limpo. Após um breve papo com o simpático Sr. Osaki um paranaense de origem japonesa que resol- veu tentar a sorte no Pará, tomei banho para comer aquele esperado sanduche do café da manhã do hotel de Belém. Após um sanduíche de queijo e uns polenguinhos ainda remanescentes do café da manhã do hotel de Belém me deitei e finalmente entendi o "Vai encarar!?" o calor tava animal e a noite, apesar do cansaço, foi muito longa e pra melhorar mais ainda o clima volta e meia o gerador do hotel parava cortando a luz e consequentemente a morna brisa que saia do velho ventilador. Pois afinal de estar muito próxima da Hidroelétrica de Tucurui, aprox. 100km, Tailândia ainda não dispõe de luz elétrica, algo como morrer de sede junto ao Rio!!!!

As 4h levantei e comecei mais um longo dia de viagem, em torno de 7h da manhã eu já estava passando pôr Breu Branco uma cidade a fica no lado sul da Barragem poucos quilômetros mais e eu já estava mergulhando no famoso lago de Tucurui.
Parei o Toyota em uma Praiazinha junto ao inicio da barragem e após algumas fotos tomei meu café da manhã enquanto assistia alguns jovens locais, que chegaram correndo e pedalando, tomarem banho no lago. Voltei para a estrada e ao iniciar a travessia da represa tive a nítida impressão de estar em São Paulo pois de uma hora para outra estava em uma pista bem pavimentada e sinalizada e vendo imensos paredões de concreto tangidos pôr muitas linhas de transmissão de alta tensão.

Ao parar sobre o meio do paredão encontrei um simpático funcionário da Eletronorte que me sugeriu que seguisse a diante para saber mais sobre as turbinas e comportas, dessa conversa eu gostaria de destacar alguns pontos curiosos e que nos ajudam a entender como funcionam as coisas no Brasil :

A energia gerada pôr Tucurui, está com apenas 1fase ou 50% instalada a nível de equipamentos geradores, não pode ser completamente aproveitada pois faltam linhas de transmissão para distribui-la, de modo que sempre algumas unidades geradoras ficam paralisadas pois não é possível distribuir a energia.

Este mesmo funcionário também me apresentou o hall de entrada para a sala de controle toda em concreto e vidro temperado infelizmente não pude conhecer o resto das instalações pois uma visita mais abrangente deveria ser marcada com antecedência, o que recomendo a todos os que pretenderem se aventurar pôr ali e tenham algum interesse pôr assuntos do gênero.

Para chegar ao fim da barragem passa-se ainda pôr um túnel, que amplia mais ainda a sensação urbana, sob uma obra paralisada do que um dia deverá ser uma eclusa e permitir a navegação rio acima passando pela barragem e pôr fim ainda depara-se com uma imensa cidade fantasma com ruas asfaltadas onde um dia foi a vila dos operários que trabalharam na construção da hidroelétrica e com a paralisação das obras foi desativada com centenas de casas que até hoje realizariam o sonho de muitos brasileiros, principalmente aqueles que moram em uma área meio favelizada a cerca de 1000m dali......

Ao cruzar a última ponte com cara de rodovia paulista entrei novamente numa típica rodovia Paraense de terra sem sinalização sem falta de buracos e finalmente algumas manchas da tão esperada selva amazônica.

Chegando a Novo Repartimento a cerca de 1h de Tucurui o contraste foi impressionante depois de passar a manhã admirando paredões de concreto e equipamentos pesados cheguei a uma cidade a qual certamente tem grande semelhança com as cidades de "velho oeste" americano a exceção de alguns veículos pelas ruas suas casas totalmente erguidas em madeira com salões de barbeiro, mercearias e outros estabelecimentos todos com arquitetura tipo bang-bang. Aqui começou uma parte da viagem que eu já sonhava a anos : a temida e lendária rodovia Transamazónica que para minha decepção, com exceção de alguns trechos muito ruins, era bem melhor do que eu imaginava, de forma que muitas vezes eu viajava no mesmo ritmo que o faria em uma rodovia asfaltada embora o pó me obrigava a ascender os faróis e quase parar pois a poeirada era realmente espessa e perigosa pouco antes da balsa que me levaria a cruzar o rio Xingú um mau contato no fio do compressor do Ar Condicionado me levou a achar que a viagem se tornaria um inferno empoieirado mas graças a Deus pude reparar o mau contato enquanto aguardava a balsa.
Quando finalmente coloquei o carro na balsa olhei para o rio e perguntei ao balseiro se haveria algum problema em dar um mergulho. Com o incentivo do balseiro botei a sunga e mergulhei direto da balsa que ainda estava sendo carregada. A temperatura da água era tão refrescante que decidi atravessar até a outra margem +/- 700m quando fui retirar o carro da balsa o mesmo balseiro disse:

- Se tem muita coragem de atravessar este rio pois tem cada Piranha Preta deste tamanho ó.........
Enquanto secava aproveitei para tirar umas fotos do cotidiano local e segui viagem meia hora depois o sol se punha e devido a inversão térmica que ocorre a esta hora a poeira levantada pelos carros permanece muito tempo em suspensão no ar de modo que só se avançava a passos de Cágado quando cheguei a Altamira que imaginava ser outra cidade de faroeste fui surpreendido pôr uma cidade com sinal de celular ruas asfaltadas e como era sexta feira tive ainda a oportunidade de degustar uma Pizza num Quiosque do calçadão as margens do Xingú com direito a esticada na Boate e tudo mais. Para variar quando estava em plena performance nas pistas de dança parou tudo, pois depois de um dado horário a luz pública e desligada pôr razões de economia de petróleo devido a energia local é termoeléctrica, mas não houve espanto a massa suada aguardou imóvel até que começou o toc toc toc do gerador particular da boate e tudo continuou exatamente onde tinha parado.

Depois de uma breve noite de sono num qto. de hotel com ar pelo qual paguei mas sem luz devido a qual suei parti rumo a Santarém só mais 800km de terra dos quais 200 seriam da realmente desagradável rodovia Cuiabá-Santarém, que eu viria a enfrentar logo após Ruropolis logo no começo deste trecho a cerca de 10km do seu inicio encontrei um laguinho a esquerda da pista cuja água absolutamente cristalina torna o mergulho indiscutivelmente obrigatório.

Mais algumas horas e eu finalmente voltei a ver vestígios de civilização era o batalhão de engenharia do exercito trabalhando no asfaltamento da estrada que a mais de 10 anos já deveria estar servindo de escoamento para a safra de grãos do centro oeste com destino a América do norte barateando o frete e aumentando a capacidade de competição internacional de nossa agricultura mas até hoje somente 180km estão concluídos ligando o porto de Santarém a lugar nenhum. Chegando a Santarém mais uma vez estive as voltas com o racionamento de energia o hotel que escolhi havia me assegurado que haveria energia naquela noite mas apesar de ter pago pelo Ar novamente passei uma noite dos infernos.
No dia seguinte, após um breve passeio margem do Rio Tapajós , decidi procurar a oficina Toyota local para algumas operações de rotina aonde fui abordado pôr outro cliente que se dispôs a me ajudar a procurar uma decolagem para voar de Asa Delta e ainda me apresentar alguns membros do Jeep Clube local. depois de um rápido e frustrado passeio pelos poucos morros da região fomos para a cidade onde fui apresentado ao Donaldo que dirige a concessionária Fiat local que me apresentou o ponto de encontro dos jipeiros locais, que é o lava a jato da tribo aonde conheci vários outros jipeiros que se reúnem diariamente ali, na hora do almoço, e como alguns não podiam trabalhar devido ao racionamento de luz já arrumei dois dispostos a me levar a conhecer algumas praias do Tapajós que realmente são impressionantes, com sua areia extremamente alva banhada pôr um rio que apesar de muito largo, e ao contrario de todos os rios que tive oportunidade de conhecer na Amazônia é totalmente cristalino.

É importante ressalvar que as praias desaparecem durante a cheia do rio. Logo de cara resolvemos entrar na praia através de uma descida junto ao Iate Clube caminho que foi questionado pôr alguns dos integrantes do grupo devido a profundidade de um igarapé que teria de ser cruzado, chegando ao local entendi o motivo da polemica e resolvi esperar a cruzada dos outros carros, um Toyota Bandeirante e um Jeep Wyllis antes de me arriscar com meu carro lotado de suprimentos e bagagens, e não deu outra ambos ficaram presos com água até o painel pôr sugestão do Emerson do lava a jato que se encontrava em meu carro cruzamos o igarapé em outro trecho mais razo com a intenção de pelo outro lado socorrer os dois outros carros mas que nada pouco após a travessia do igarapé, quando tudo parecia bem o carro caiu em uma área pantanosa de maneira tão abrupta que imediatamente encontrava-se irremediavelmente encravado até os pará-choques.
O quadro não era nada animador : dois carros semi-submersos, outro plantado no pântano onde nem a pé era fácil de se andar, o sol já baixo no enfumaçado horizonte Paraense, os mosquitos reclamando o seu território e de quebra aquela molecada local insistentemente rindo de nossa cara...mas jipeiro sempre tem amigos solícitos e ávidos pôr aventura isto associado a solidariedade e simpatia do Santareno resolve tudo e bastaram algumas poucas ligações do celular que em poucos minutos, o suficiente para deixar a mosquitada bem alimentada com nosso sangue, que três jipes surgiram para nos resgatar.

Puxa daqui, empurra dali e logo estavam todos em ordem de marcha novamente. Como já era noite fui me limpar e já era hora de buscar no aeroporto quem faltava para completar a tripulação a bordo: minha inseparável companheira Vera, que alias deve ter sofrido mais do que eu para chegar a Santarém pois pôr confusão da empresa aérea perdeu conexões e fez uma rota totalmente confusa.

Os próximos dias foram passados conhecendo os encantos das praias do Tapajós e as histórias contadas pelos jipeiros locais durante animadíssimas partidas de dominó.
Para seguir em frente precisávamos pegar uma nova estrada esta sim intransponível ao nosso intrépido Toyota......o barrento rio Amazonas deveria ser navegado até Itacoatiara de onde uma estrada de 250km segue p/ Manaus para tanto entrou em cena o barco fluvial Antonio Gesta no qual consegui encaixar o carro milimetricamente no convés inferior entre um monte de gente,melancias,sacos de farinha e é claro que não poderia faltar um imenso carregamento de Coca-Cola para me lembrar de que apesar de tudo estava neste mesmo planeta aonde muitas vezes estive em locais onde podia haver luz elétrica, educação ou saúde mas sempre havia a caracteristica garrafa de emblema branco e vermelho.
A viagem de 36hs passou-se relativamente rápido pois apesar do calor e do desconforto de ter que dividir um banheiro com dezenas de pessoas tomando banho com a água do rio foi muito interessante conviver com a população local e parar nas cidades Ribeirinhas, entre elas Parintins palco da maior festa folclórica regional realizada em julho quando pessoas de todas as partes se dirigem para lá a fim de dançar ao som do Bumba meu Boi, onde uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a quantidade de lixo depositada a beira do rio aguardando a cheia para leva-lo para o leito do rio, como se já não bastassem as grandes extensões de desmatamentos para criação de gado nos alagáveis proporcionando o desbarrancamento das margens e provocando o assoreamento do rio. Após o desembarque em Itacoatiara mais 3h de carro e chegamos a Manaus com sua zona franca , o esplendoroso teatro Amazonas e seus imensos complexos de palafitas em terrenos invadidos pôr caboclos simples em busca de emprego na industria.

Em Manaus providenciei tudo que faltava e partimos rumo a Boa Vista cruzando a linha do Equador através da recém asfaltada BR destinada a permitir o escoamento dos produtos da z. franca para o Caribe e América central e do norte cruzando a reserva dos índios Waimiri Atroari onde alias vi a selva mais preservada e exuberante de toda a viagem.

Ao chegar a Boa Vista a impressão e muito semelhante a Brasília pois assim como a capital federal na parte planejada de Boa vista as Avenidas também são largas e arborizadas no dia seguinte preparamos a papelada para o carro sair do pais e decidimos ficar mais uma noite afim de sairmos cedo para ainda visitarmos a "Pedra Pintada" uma pedra de formas exóticas cheia pinturas rupestres e no caminho ainda tem um agradável riacho para se tomar banho. Ao chegar a fronteira tiramos algumas fotos e depois de nos submetermos a um breve rito burocrático, devo lembrar que para ir até S. Helena não há a necessidade de apresentar-se a imigração Venezuelana porém para se seguir em frente se você não tiver todos os carimbos terá de retornar a fronteira.

Ao deixar a região fronteiriça entra se na "Gran Sabana" um parque nacional repleto de montanhas de formato exótico chamadas de "Tepuis" com seus planaltos de aparência inatingível e inúmeras cachoeiras das mais diversa formas e alturas culminando com o famoso salto Angel com mais de 1000m de queda uma dica muito importante é que se você assim como eu desejar conhecer todas as trilhas do parque leve um reservatório extra de combustível principalmente se o seu carro for a Diesel pois os três únicos postos próximos a saída norte do parque só tem Gasolina.

No terceiro dia de explorações pelo parque decidimos pernoitar num local no final de uma trilha bem difícil junto ao Karuai, alias devo ainda agradecer ao Cristian um gringo lá de Santarém que me descolou um ótimo mapa do parque pois mapas em geral são difíceis de se conseguir na Venezuela, depois de avançar os últimos 23km a uma impressionante media de 10km/h chegamos a uma área de camping desativada na qual armamos a barraca e cozinhamos o jantar enquanto trocávamos a luz do Sol pôr uma bela lua cheia durante o tempo todo percebia uma grande quantidade de besouros me incomodando, besouros!? Fiquei intrigado e resolvi investigar e "ao colocar mais luz sobre o assunto" descobri que eram BARATAS centenas de BARATAS fervilhando pôr todo lado graças a deus elas não conseguiram invadir a panela que estava no fogo e a pergunta após o jantar era será que elas invadiram a barraca?

Decidimos virar o carro e iluminá-la com os faróis pois até agora estávamos usando as luzes de ré qual não foi minha surpresa ao constatar que a bateria do carro havia se descarregado e não havia como empurra-lo, o que significava que no dia teríamos no mínimo de caminhar até a vila mais próxima, os tais 23km e conseguir alguém com um carro capaz de voltar até o nosso carro par empurra-lo, bem voltando a esta noite, pensei:

 Assim que lá chegamos já fomos abordados pôr um piloto que ao ver minha asa sobre o carro nos deu seu telefone para irmos voar juntos. Passamos o primeiro conhecendo a cidade e trocando dinheiro, o que as vezes é bem difícil na Venezuela ao fim da tarde nos dirigimos para "Las Gonzales" uma decolagem onde se voa ao fim da tarde em um calmo vento que ascende pôr um braço de montanha o acesso a este local se da pôr um caminho em zig zag escalando um penhasco desértico e erodido muito perigoso esperei um pouco e logo chegaram outros pilotos e ficamos todos voando até escurecer. No dia seguinte um sábado fui com o Mario o tal piloto local que havia conhecido no transito conhecer o vôo da decolagem de "La Trampa" situado do lado oposto ao do vale em relação a "Las Gonzales" este é o local para vôos em condições térmicas novamente tivemos que "escalar" uma daquelas estradinhas sinistras para chegar a decolagem que se dá a beira da mesma.
Alias as asas são montadas sobre a pista pois é o único local um pouco mais plano. O lugar pôr si só já impressiona pois se está a um desnível de quase 2000m do fundo de um desértico vale o qual se resume a um rio de uns 30m de largura e a uns 1000m do pouso que se encontra num platô tomado pelo vilarejo onde as margens de um lago pantanoso se encontra um charco com alguns pontos secos.

Ah, e tem ainda o fato de muitas das montanhas em volta beirar os 1500m acima da decolagem. Considerando este ambiente não será difícil de se imaginar a intensidade do vento e a turbulência que encontrei durante as quase duas horas que lá voamos. No Domingo resolvemos finalizar a nossa estada com alguns programas mais tradicionais. Primeiro fomos ao Teleférico, consumido pôr uma empresa francesa em 1958 este é o teleférico mais alto e longo do mundo vencendo um desnível de 3190m entre Mérida e o "Pico Espejo" (4765m) com quatro estações intermediárias. Tivemos muita sorte pois neste dia não houve formação de nuvens de modo que pudemos ver de pertinho o permanentemente nevado "Pico Bolívar" (5007m) o mais alto ponto da Venezuela. Este passeio é absolutamente imperdivel, não esqueça os agasalhos. Em seguida fomos ao "Museo de Arte Moderno" para conferir a bienal de artes plásticas que se realizava durante aqueles dias. E para fomos degustar um exagero chamado "Heladeria Coromoto" que entre seus 620 sabores de sorvete oferece sabores tão distintos como Brahma, Macarrão, Truta (é peixe mesmo!!!), feijão e tudo que você possa imaginar.

O lugar é reconhecido oficialmente pelo Guiness como a sorveteria de maior variedade de sabores no mundo. No dia seguinte seguimos com pela nova auto estrada recém inaugurada para Carora de onde pretendíamos conhecer um pico de vôo chamado Jabon. A cidade em si não oferece grandes atrativos com exceção para a parte velha e seu majestoso casario colonial. O pico de vôo em Jabon situado em um vilarejo de mesmo nome tem um ótimo potencial de vôo embora no dia em que lá voamos, eu e um piloto local, o vento estava deixando todo o vale no rotor e haviam poucas formações mesmo assim ainda foi possível ensaiar a saída para o "cross country" mas as térmicas no "flat" estavam muito falhadas embora mais tarde houvessem vários "Dust Devils".

De qualquer modo este é um local excelente. De lá seguimos na manhã seguinte rumo ao mar do Caribe ao analisarmos a rota observamos que o caminho que nos havia sido indicado inicialmente seria mais longo e fomos seduzidos pela idéia de cruzarmos uma cadeia montanhosa em um deserto que se encontrava entre nós e o litoral, maior roubada!!!!
Pôr duas vezes nos perdemos e andamos em círculos e as poucas pessoas que encontramos davam informações totalmente contraditórias de forma que após 4h sem sair do lugar nos rendemos a rota tradicional que passava próximo ao "Lago Maracaibo" o maior lago da América Latina na tarde do chegamos a Coro que fica bem próximo a Aruba e segundo as informações que dispunha pôr ali havia uma balsa para lá, mais precisamente em Punto Fijo que se situa na Península de Paraguaná que se liga ao continente pôr uma fina restinga que é também um parque nacional repleto de dunas e lagoas de sal.

A península é também o local que o governo escolheu para instalar suas refinarias de petróleo. Chegamos lá e nada de balsa! Na volta ao chegar a Coro fomos informados do local correto que se chama Velas de Coro e decidimos dormir em Coro para no dia seguinte seguir em busca da balsa. Era dia 24 véspera de natal e após acomodados no hotel resolvemos sair para comer não precisamos andar muito para descobrir que não haveria nenhum restaurante aberto corremos para a padaria em frente ao hotel, que já estava fechando, e pôr fim saboreávamos uma suculenta ceia a base de sanduíche e coca cola no quarto do hotel. Pela manhã seguimos para o local de partida da balsa mas a balsa só parte e retorna as sextas e segundas, de modo que não haveria tempo de estarmos dia 27 em Margherita onde tínhamos marcado com um casal de amigos e já tínhamos feito reservas de hotel.

Assim que lá chegamos já fomos abordados pôr um piloto que ao ver minha asa sobre o carro nos deu seu telefone para irmos voar juntos. Passamos o primeiro conhecendo a cidade e trocando dinheiro, o que as vezes é bem difícil na Venezuela ao fim da tarde nos dirigimos para "Las Gonzales" uma decolagem onde se voa ao fim da tarde em um calmo vento que ascende pôr um braço de montanha o acesso a este local se da pôr um caminho em zig zag escalando um penhasco desértico e erodido muito perigoso esperei um pouco e logo chegaram outros pilotos e ficamos todos voando até escurecer. No dia seguinte um sábado fui com o Mario o tal piloto local que havia conhecido no transito conhecer o vôo da decolagem de "La Trampa" situado do lado oposto ao do vale em relação a "Las Gonzales" este é o local para vôos em condições térmicas novamente tivemos que "escalar" uma daquelas estradinhas sinistras para chegar a decolagem que se dá a beira da mesma.
Alias as asas são montadas sobre a pista pois é o único local um pouco mais plano. O lugar pôr si só já impressiona pois se está a um desnível de quase 2000m do fundo de um desértico vale o qual se resume a um rio de uns 30m de largura e a uns 1000m do pouso que se encontra num platô tomado pelo vilarejo onde as margens de um lago pantanoso se encontra um charco com alguns pontos secos.
Ah, e tem ainda o fato de muitas das montanhas em volta beirar os 1500m acima da decolagem. Considerando este ambiente não será difícil de se imaginar a intensidade do vento e a turbulência que encontrei durante as quase duas horas que lá voamos. No Domingo resolvemos finalizar a nossa estada com alguns programas mais tradicionais. Primeiro fomos ao Teleférico, consumido pôr uma empresa francesa em 1958 este é o teleférico mais alto e longo do mundo vencendo um desnível de 3190m entre Mérida e o "Pico Espejo" (4765m) com quatro estações intermediárias. Tivemos muita sorte pois neste dia não houve formação de nuvens de modo que pudemos ver de pertinho o permanentemente nevado "Pico Bolívar" (5007m) o mais alto ponto da Venezuela. Este passeio é absolutamente imperdivel, não esqueça os agasalhos. Em seguida fomos ao "Museo de Arte Moderno" para conferir a bienal de artes plásticas que se realizava durante aqueles dias. E para fomos degustar um exagero chamado "Heladeria Coromoto" que entre seus 620 sabores de sorvete oferece sabores tão distintos como Brahma, Macarrão, Truta (é peixe mesmo!!!), feijão e tudo que você possa imaginar.

O lugar é reconhecido oficialmente pelo Guiness como a sorveteria de maior variedade de sabores no mundo. No dia seguinte seguimos com pela nova auto estrada recém inaugurada para Carora de onde pretendíamos conhecer um pico de vôo chamado Jabon. A cidade em si não oferece grandes atrativos com exceção para a parte velha e seu majestoso casario colonial. O pico de vôo em Jabon situado em um vilarejo de mesmo nome tem um ótimo potencial de vôo embora no dia em que lá voamos, eu e um piloto local, o vento estava deixando todo o vale no rotor e haviam poucas formações mesmo assim ainda foi possível ensaiar a saída para o "cross country" mas as térmicas no "flat" estavam muito falhadas embora mais tarde houvessem vários "Dust Devils".

De qualquer modo este é um local excelente. De lá seguimos na manhã seguinte rumo ao mar do Caribe ao analisarmos a rota observamos que o caminho que nos havia sido indicado inicialmente seria mais longo e fomos seduzidos pela idéia de cruzarmos uma cadeia montanhosa em um deserto que se encontrava entre nós e o litoral, maior roubada!!!!
Pôr duas vezes nos perdemos e andamos em círculos e as poucas pessoas que encontramos davam informações totalmente contraditórias de forma que após 4h sem sair do lugar nos rendemos a rota tradicional que passava próximo ao "Lago Maracaibo" o maior lago da América Latina na tarde do chegamos a Coro que fica bem próximo a Aruba e segundo as informações que dispunha pôr ali havia uma balsa para lá, mais precisamente em Punto Fijo que se situa na Península de Paraguaná que se liga ao continente pôr uma fina restinga que é também um parque nacional repleto de dunas e lagoas de sal.

A península é também o local que o governo escolheu para instalar suas refinarias de petróleo. Chegamos lá e nada de balsa! Na volta ao chegar a Coro fomos informados do local correto que se chama Velas de Coro e decidimos dormir em Coro para no dia seguinte seguir em busca da balsa. Era dia 24 véspera de natal e após acomodados no hotel resolvemos sair para comer não precisamos andar muito para descobrir que não haveria nenhum restaurante aberto corremos para a padaria em frente ao hotel, que já estava fechando, e pôr fim saboreávamos uma suculenta ceia a base de sanduíche e coca cola no quarto do hotel. Pela manhã seguimos para o local de partida da balsa mas a balsa só parte e retorna as sextas e segundas, de modo que não haveria tempo de estarmos dia 27 em Margherita onde tínhamos marcado com um casal de amigos e já tínhamos feito reservas de hotel.

Seguimos uma estrada que seguia costeando rumo leste paramos para uma praia no "Parque Nacional Morrocoy" que certamente mereceria uma estada mais longa pois é uma reserva marinha com centenas de ilhotas e corais com varias opções de passeios e mergulhos, para na sequencia completar a viagem até Maracay que se situa já próximo a Caracas. No dia seguinte cruzamos Caracas e finalmente chegamos a Puerto lá Cruz de onde parte a balsa para "Isla Margherita" o sistema deles é bastante confuso e devido ao imenso movimento de pessoas que pretendiam passar o Reveillon pôr lá alem da clara e iminente intenção dos vendedores de bilhetes em favorecer os Venezuelanos em detrimento dos brasileiros, que alias eram muitos vindos de Manaus e Boa Vista, passamos oito horas entre filas discussões e incertezas até finalmente conseguirmos um lugar na balsa.
Quando depois de colocar o carro no porão nos dirigimos aos andares superiores da embarção todos ultra lotados até para encontrar um lugar no chão foi difícil. Chegamos a Margherita as 5:30 da manhã e exaustos e sujos pegamos a estrada rumo ao hotel que tínhamos reservado. Quando lá chegamos descobrimos que pôr um erro da agencia de viagem não teríamos nosso quarto pois o hotel estava lotado e logo depois descobrimos que a ilha também estava lotada, de modo que precisamos do dia inteiro até conseguirmos um hotel com vaga. Nos dias em que lá estivemos pudemos constatar que o lugar era somente um daqueles terríveis destinos para o turista padrão sem grandes belezas naturais, clima árido os destaques ficam para os vários mega Resorts e Porlamar cidade que tem uma arquitetura moderna e agressiva que lembra a Flórida, muitas boates e de quebra é porto livre de comercio e as praias em geral não chegam aos pés das que temos aqui no Rio de Janeiro. Recebemos o ano novo numa agradável festa no hotel para na primeira manhã do novo ano iniciara a volta para casa. Em 3 dias chegávamos a Manaus de onde tínhamos a opção de seguir até porto velho pôr terra ou embarcar o carro numa balsa para Belém, a opção escolhida pois queríamos conhecer um hotel de selva enquanto o nosso valente Toyota descansava sobre a balsa no rio Amazonas. Desfrutamos ótimos dias na selva para depois rumarmos pôr via aérea a vera para o Rio e eu para Belém de onde levei mais três dias para chegar ao Rio.

Observações : Suprimindo se o trecho da Transamazonica, via Belém, esta viagem pode ser realizada com qualquer carro de passeio. Veículos a diesel são "mosca branca" na Venezuela portanto leve as peças que possa vir a necessitar. Tenha com você sempre um guia de viagem no nosso caso levamos um da "Lonely Planet" para toda a América do Sul comprado aqui no Rio.

 

 



 

 

 

 

 




              

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